Time Wasters

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Pausa no diário de gravações para teclar sobre meus discos favoritos do ano de
2013!

12. Poisonblack - Lyijy -> Bem, eu não ouvi esse disco assim com a atenção que
este merecia; mas do pouco que eu ouvi, eu gostei de praticamente todas as
músicas, o que vinha sendo raridade nos discos desta fase Hard Rock do
Poisonblack. As composições são melhores, os ganchos sao viciantes e a banda
voltou a ter uma finesse destacada. Foi como rever aquele amor da sua
adolescência - a pessoa está com o visual todo diferente agora, mas ainda te faz
rir e você percebe que aquela conexão cósmica segue existindo.

11. Airbourne - Black Dog Barking -> Já aqui o caso é bem o oposto do anterior.
Airbourne é uma banda de blues/rock visceral e a gente não vê perspectivas disso
mudar. Claro que as comparações ao AC/DC seguirão existindo, mas há elementos de
outras coisas aqui e isso é fácil de notar. O álbum tem um pouco menos de
músicas memoráveis, daquelas que causarão euforia extrema nos shows da banda,
mas há um elemento mais denso e um foco grande nos detalhes composicionais.
 

10. Stone Sour - House Of Gold & Bones - Part 2 -> Oh boy, será que este é o
melhor disco da carreira do Stone Sour? Bom, após a decepção massiva que foi a
Parte 1 da história conceitual, quase que eu não dou ouvidos a este CD aqui, o
que seria uma perda gigante. A impressão que dá é que os caras puseram todas as
faixas melosas e preguiçosas na parte 1 e deixaram o filé todo do alternative
metal intrincado na 2. Sem exagero, lembra até o 'Koi No Yokan' do Deftones em
partes, naquela intenção gelada e mortífera de se criar uma ambiência pesada,
com a identidade do Stone Sour, claro.

09. Korn - The Paradigm Shift -> Bem, eu morri de medo que o Korn estivesse
morto. E acho que se dependesse do vocalista Jonathan Davis, a banda teria
seguido aquele caminho tortuoso do dubstep, como no Path Of Totality. Com a
volta do Head à banda, houve de novo um foco maior em guitarras, peso - aquela
vibração intensa e que foi uma das características que levou o Korn a ter essa
base de fãs fiéis e que nunca esmoreceram - mesmo agora que o new metal não é a
mais a música do momento. Uma boa fusão do velho Korn com alguns elementos
eletrônicos. Provavelmente o melhor disco da banda desde o Issues, sendo
superior ao Untitled.

08. Evile - Skull -> Enquanto a metaleirada fica bajulando os deuses inoperantes
dos anos 90 e 80 e comprando re-re-re edições dos discos velhos e ao vivos
consagrados, felizmente há uma parcela de músicos trabalhadores nesse mundo
pondo boa música nesse mercado. Nesse quarto disco, os ingleses do Evile
desistiram um pouco da ideia de serem mais comerciais, que foi algo que eles
buscaram no Five Serpent's Teeth. Então há mais trampo aqui, mais ambiência,
mais agonia, mais raça. Talvez não seja o álbum definitivo que vai marcar a
banda como tendo uma identidade única, pois seguem rolando aquelas influências
dos heróis dos 80s e 90s, mas os caras vêm nessa busca, mostrando solidez a cada
lançamento.

07. Amorphis - Circle -> A banda prometeu algo menos formulaico para este disco,
após ter feito quatro álbuns formando uma sequência conceitual. Yeah, ele
realmente tem elementos novos e um frescor composicional. Há coisas lá dos
primeiros CDs - e esses acabam sendo os momentos com maior replay value no disco
- e há um pouco de acentos progressivos bem mesclados ao folk metal
característico desses finlandeses. No final das contas, não ficou assim tão
diferente do quarteto de álbuns recém lançado, mas aí também não seria o
Amorphis 2013. De toda forma, deu para notar um esforço em trazer algo novo, mas
convenhamos, não é todo dia que você decide "vou ali compor um Tales From the
Thousand Lakes, Elegy, Tuonela ou Am Universum", discos famosos por serem
incrivelmente originais e geniais.

06. Lacrimas Profundere - Antiadore -> Yeah, essa banda alemã de rock gótico
teve uma troca de vocalista há mais ou menos três discos. Levou um tempo até que
eles conseguissem restabelecer a qualidade de outrora. Mas agora essa qualidade
chegou e como chegou! Esse novo disco tem apenas um erro grave, que é justamente
colocar como lead single e abertura do álbum uma faixa com o vocalista anterior.
Não precisava disso. O novo vocalista simplesmente arrebenta na performance dele
neste álbum e as composições estão ajustadas corretamente para o seu registro.
Fora que o Lacrimas voltou a ser o Lacrimas. Disco bem mais melancólico esse
aqui, os dois ou três anteriores estavam meio "felizes demais para o Lacrimas".
 

05. Filter - The Sun Comes Out Tonight -> É. O Filter falha pouquíssimo. Das
bandas mais consistentes da atualidade. E não é aquele troço formulaico de
sempre. Lógico que tem toda a identidade e uma amplitude de coisas que você já
espera do Filter, mas sempre há uma busca por um plus. Aqui a banda buscou um
pouco mais do espírito dos tempos do Short Bus, mas com a produção e a
mentalidade de 2013. Foi um bom resultado, aquém dos dois últimos discos, é
verdade; mas há belas faixas melódicas, grandes sons peso-pesados e a certeza de
que se fosse um álbum de 99% das bandas de alternative do mundo, esse seria o
melhor disco de suas carreiras. Enfim, mais uma prova cabal de que essa banda
aqui é das mais subestimadas desse injusto mundo.

04. Alter Bridge - Fortress -> Primeira vez que incluo o Alter Bridge em uma

lista de meus favoritos do ano, mas dessa vez não dava de passar incólume à
Fortress. Esse disco é simplesmente espetacular! A banda conseguiu exponenciar
os elementos que deram muito certo em AB III e perderam aquele medo de não terem
singles em potencial. Sério mesmo. Era irritante ver o Alter Bridge sempre se
segurando e lançando aquelas faixas sem sal para soarem mais acessíveis. No AB
III já haviam quase limado esse problema, e agora a questão foi totalmente
sanada. Só sonzão essencial aqui. Nada de filler meloso para agradar teenager. E
os caras estão muito maduros. Os sons possuem uma busca por um ineditismo. Seja
nos riffs bastante intrincados mas com um apuro setentista, seja na duração
maior das músicas, tornando o álbum mais épico, ou até mesmo nas performances
individuais dos músicos, que estão melhores ainda. Um disco essencial.

03. Pearl Jam - Lightning Bolt -> É irritante perceber como esse disco vem sendo
julgado erroneamente. É uma tentativa muito bem sucedida de uma banda que achou
um novo som, uma nova identidade. Desde o Abacate o Pearl Jam soa assim.
Backspacer foi um pouco mais no espírito 'back to basics', e agora nesse novo CD
a banda se aventura, mais ou menos como fez em Yield. Há um leque gigantão de
paisagens sonoras, se comparado aos dois álbuns anteriores (essa deve ser a
referência) e traz uma maturidade musical que beira o inigualável. Os caras
estão muito a frente de tudo musicalmente. Sem dúvida. De toda forma, o Pearl
Jam sempre teve uma boa variedade sonora em seus álbuns, e aqui é exatamente
isso. Só que o público não pode ignorar alguns fatos: que Eddie Vedder descobriu
seu amor pelo folk; que o Abacate é o ponto de partida para essa nova
sonoridade; que Matt Cameron é o baterista com maior rodagem na história da
banda. Feitas essas constatações, ouça o álbum de novo e encante-se.

02. Carcass - Surgical Steel -> Oh, a volta do Carcass! Uma das bandas de metal
mais aventureiras da história retorna sanando sem qualquer hesitação àquela
pergunta óbvia: eles ainda sabem ser o Carcass? Sabem. E se faltou um pequeno
detalhe para esse álbum ser o disco do ano foi que não houve qualquer evolução
desde o que eles faziam nos anos 90s. O Carcass foi o AC/DC nesse disco aqui.
Fizeram o que sempre souberam fazer e o que eles sabem fazer é o melhor metal
que existe. Contém extremismo, melodia, voracidade, vontade, rebeldia
fundamentada, musicalidade absurda. É o pacote completo. E como eles entendem de
dinâmicas! Quando as músicas ameaçam cair numa certa mesmice, lá vão eles lançar
mão de dinâmicas novas sensacionais. Não é o melhor álbum deles. Na verdade,
periga ser até um dos menos bons. Mas isso só reforça o quanto esses caras eram
sensacionais quando estavam no auge.

01. Alice In Chains - The Devil Put The Dinosaurs Here -> Que álbum bem absurdo
esse aqui! Sujo, intenso, inteligente, pesadíssimo, inspirado como ninguém podia
esperar. Ele não peca como o 'Black Gives Way To Blue' pecava nessa necessidade
de lembrar da existência do Layne Staley o tempo todo. Nesse álbum, parecia que
toda música era um tributo à Layne. Já aqui, a banda parece ter soado como uma
unidade nova e revigorada. A gente ouve o álbum, sabe que o mesmo soa como Alice
in Chains 100% do tempo e não fica remetendo quase nunca à coisas que foram
feitas antes. Salvo um ou outro nod ao 'Dirt' ou 'Facelift', as composições soam
realmente como Alice In Chains 2013, e isso nos faz crer que o estoque de
Cantrell e comparsas é inesgotável. OK. Eles não têm assim tantos discos de
estúdio, mas não esqueçamos dos excelentes discos de Cantrell em carreira solo.
O fato é que este álbum aponta para uma direção onde eles soam como uma unidade.
E acho que a banda não tinha um momento assim desde o Dirt. O disco trípode soa
como Cantrell solo. O BGWTB soa como Cantrell solo. O Devil soa como uma banda
unida. E uma banda muito afiada, diga-se.