Faixa a faixa a respeito dos sons do cd mais recente do Assédio, as of 2023, o "Melodengo's do Corazón":
Não Presta -> vai parecer sacanagem (a banda é o Assédio, né)! Enfim.. a intro e a guita do verso são roubados duma banda de death! Ouve "Threatening Skies", do Obituary. Claro, nessa roupagem ficou meio Bad Religion da fase melódica, que é a fase que eu mais gosto. Anos depois veio a moda do emo. Até hoje os caras me falam que essa é uma faixa proto-emo.
Proibido F -> eu acho muito afudê essa progressão de notas da intro. Tanto que seguiu no verso. É bem Bad Religion, mas tem a classe do Garbage do começo. Eu não achava a música tão boa assim quando eu fiz, mas quando fui escolher as faixas pro projeto vi que ela tinha um potencial summer pop muito grande. Obviamente, a letra é baseada em fatos reais, e foi super remodelada para essa gravação, bem como várias outras letras desse cd.
Eu Sou Pastel -> a Assédio tinha acabado de gravar o "Rock Sex Loco Love" na Fofolândia em '97, e essa foi a primeira música que saiu após as sessões. No mesmo dia escrevi a Chocolate Branco também. Tinha ficado meio consenso que a gente ia focar em escrever coisas com mais groove tipo a 'Back to Back' e a 'Incógnita'. Nunca mostrei a Pastel pros caras.. mas passaram-se todos esses anos e esse riff nunca saiu da minha cabeça. Aí foi pra esse disco.
Pra Você -> essa saiu numa tarde em que eu e o Makil sentamos lá na minha casa na Cidade Nova, e escrevemos a 'Fúria' também. Eu dei uma roubada boa no Silverchair pra essa aqui. Essa versão finalizada do disco ficou ótima. Os vocais tão demais, e a parte eletrônica ficou de muito bom gosto.
Nada Além do Tudo -> essa foi escrita em 2016, eu acho. Uma amiga minha tinha me feito um puta favor. Eu, pelo telefone, escrevi: "Obrigado", ela respondeu: "Não fiz nada", e eu respondi: "Nada além do tudo!" Daí esse fato desencadeou esse som meio Titãs, meio Ramones, meio The Clash. Um 'breath of fresh air', mas ao mesmo tempo bem Assédio old school.
O Que Está Feito, Está Feito -> essa foi escrita poucos dias depois da Sou Pastel e da Chocolate Branco. Eu era magro na época, mas foi uma "junk food session", né. Essa nasceu com a melodia da voz, catei as notas e fiz como linha de baixo também. O pessoal da Fofolândia ouviu e disse que seria uma ótima trilha de novela da Globo. Essa versão ficou um milhão de vezes melhor que a da coletânea do Harmonic. Uma das poucas, senão a única que não tem backing vocals.
Guerra dos Sexos -> na época que ela nasceu, a gente (especialmente o Max Lucas) tava meio na vibe de meter uns ska. O refrão era originalmente ska, e era uns tons abaixo. Nessa versão tudo ficou maior. Mais elástico. Mais arena. O refrão ficou um paredaço com a trinca de vozes.
Zero Vírgula Zero -> ela foi oriunda de duas reuniões minhas com o Makil pra compor. A gente encaminhou ela bem na primeira reunião, e na segunda finalizamos com aquele estribilho. Eu tava meio contaminado pelo "vírus Jota Quest - Fácil", que tocava no rádio a cada 15 minutos na época, mas também tem a costumeira roubada do Silverchair. O Daniel Johns e o Ben Gillies são incrivelmente inteligentes musicalmente.
Prisão Virtual -> ah, como é legal o grunge! O rock alternativo! A beleza da estranheza! Esse conceito de se criar uma melodia torta pop! Eu diria que essa tem elementos meio Soundgarden overall, mas é certo que esse refrão veio de alguma banda com veia mais gótica. Eu tava no meu ápice de vício no mIRC, na época. Isso trouxe um monte de atraso na minha vida, mas eu era um prisioneiro consciente e feliz.
Pausa Para o Solo -> a gente tava finalizando a gravação do vocal do Trazendo Novidade na Casa Makiles (nos Navegantes) e eu fiz essa nota no violão que tava no meu colo.. e o Makil deu risada. Daí trabalhei duro nesse solo e gravei. Contém ironia.
Ballada Pra Agarrar Trocinho -> é a minha favorita do disco. Acho ela um pop perfeito pra mentalidade dos anos 90. A gente ensaiava ela com o Max e o Richard e curtia ela pra caramba. Daí ela ficou meio esquecida esse tempão, mas sempre achei uma linda duma música. Com certeza eu tava ouvindo Soundgarden, Oasis e Midnight Oil na época. Ficou um improvável mix dos 3.
John Catchaça -> outra que vão dizer que é sacanagem, mas esse riff é influenciado pelo de 'Bradley', do Coal Chamber. Na época que essa faixa nasceu tinha bastante coisa grunge saindo. Coisa bem pesada mesmo. Um monte de riff malvado. Toda faixa nossa ia ter progressões com "Bb E" porque eu tava bem influenciado por Alice in Chains e por new metal. A letra não é sobre o João Carteiro, da banda Sem Chance. É sobre o John, um conhecido meu que amava videokê.
Meu Alimento -> lembro de ter decidido que ia escrever um som bem brega. Tava descobrindo uns caras como o Ângelo Máximo, Fernando Mendes, Paulo Sérgio, Carlos Alexandre, etc. A letra também é total fatos reais. Queria ter posto uma orquestração afudê na gravação, mas não tive grana para pagar. Esse solo de guitarra me tomou uns bons meses até eu achar esse exato timbre. O Richard Furtado criou o "ralentando" do final.
A Meu Critério -> outra que eu rascunhei e não mostrei pros caras porque eu queria mais tempo pra desenvolver. Daí o Max Lucas parou com a banda, e ela ficou arquivada. Ela já nasceu com esse final roubado de "Steam Will Rise", mas só se tornou uma música super especial durante a gravação quando surgiu essa batida bem "Go Let It Out", com o loop, e esse temaço de guitarra com um certo feeling 'Samuel Rosa da fase brit pop'. Foi a única gravada em diapasão porque achei que ia ficar mais hipnótico. O resto do cd tá todo em meio tom abaixo.
Conclusão: o troço massa do Assédio é que dá para meter um disco coeso e coerente partindo de death metal e new metal, e indo até a música brega, passando por toda a grungeira, brit pops, skas e poppy punks. Não vai ser a coisa mais normal do mundo tu achar um mixed bag com essa amplitude, e ainda por cima ter um álbum bem costurado, beirando o conceitual.
De repente ninguém vai levar a sério, ninguém vai entender... mas a meta primordial prum compositor é lançar um disco, e ficar realmente satisfeito com ele. O reconhecimento ou o total descrédito ficam a cargo das dinâmicas do planeta.
Registraremos aqui os progressos da gravação do último disco do Musique, com algumas explicações e detalhes.
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terça-feira, 22 de agosto de 2023
sobre o "Assédio - Melodengo's do Corazón"
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