Time Wasters

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Faixa Um

Bem, após muitos imprevistos e problemas de força maior que pareciam que impediriam que o disco fosse gravado nas condições que planejávamos, parece mesmo que as coisas voltaram a sua normalidade. É sempre uma maldição dos infernos depender de outros para fazermos arte. Talvez por isso o Musique seja uma one-man-band e que chegou a seis discos lançados (e sem mudanças na formação... rá-rá, como você é engraçado, Musique). 

A 1a faixa do disco 7 tem o nome de trabalho de 'Uniform'. Essa frescura de nome de trabalho é coisa de banda grande, eu sei. Obviamente que já temos o nome definitivo da faixa, mas cada um com suas maneiras de se divertir, não é mesmo?

Enfim, 'Uniform' fala sobre a chatice musical atual. Sobre o quanto as bandas e gravadoras lutam ao máximo para copiarem o que dá certo comercialmente. Sobre o quanto correr riscos artísticos é uma joia que realmente se perdeu nos 90s alternatives. 

O Musique pode ser a pior banda desse mundo, e eu respeito a opinião de quem pensa assim. Mas essa banda fez coisas irrotuláveis, até para escolados em música eletrônica. Coisas que realmente elevam a arte a níveis de ineditismo.  

Nem toda banda deve ser obrigada a fazê-lo. Concordo. Mas você se render conscientemente ao same old - você mudar moldando-se ao mainstream copiando cada mínimo detalhe dos so-called heróis fashion hipsters da atualidade apenas para gozar de prestígio é condenável. Você não é obrigado a ir para a rua e querer uma revolução, mas quando toma um caminho voluntário numa busca desesperada por likes e loves e o escambau do cacete, isso é a maior merda que você poderia fazer com a arte. Você está cego pela ambição de ser um star e está fodendo tudo usando a mais nobre arte como plataforma. Então, esta letra é sobre isso. 

Musicalmente, a Uniform - que não se chamará Uniform, mas que será a faixa 1 do disco - será bem groovy, terá um bumbo bang bang martelando in your face, com maldade (tá, mentira, é para bater o pezinho, mas com um mínimo de força, vai) e terá um chimbal lindo de tão criativo. Uma daquelas ideias idiotas, mas que tem um 'carisma imbecil'. Será um som pesado, eu diria. Industrialzão fodido na cara, meio Marilyn Manson em alguns esparsos momentos, mas com a hipnose e atmosfera peculiares do Musique circa Soundtracks For Pedestrians das faixas mais pulsantes.

Enfim, fazia um belo de um tempo que eu não escrevia porque eu já estava achando que o projeto seria engavetado ou algo do gênero, mas pelo andar da carruagem esse trem vai mesmo ser feito. Os instrumentais estão todos oficialmente encerrados. Todos os loops, vibes, atmosferas, notas. Os vocais estão nascendo. Algumas melodias ainda não estão bem 100%, mas a hora de gravar uns vocais graves parece que chegará. Lookin forward to it, babe.

Até o próximo post, onde falaremos sobre a faixa 2. 
P.S.: eu deletei o post chamado 'Temática', visto que falarei da temática de cada música de forma individual. Não precisava deletar, mas enfim. Foi feito.

sábado, 4 de maio de 2013

Artwork

Realizamos nesse feriado último a photo session para o álbum. O competente pessoal da SG Photos (http://www.facebook.com/photossg?fref=ts) efetuou o trabalho de forma exemplar, buscando todos os ângulos do mundo e sendo muito minuciosos com tudo que você possa imaginar. Eles abraçaram perfeitamente a visão que tínhamos para a capa, assim como para a parte de letras e méritos. Não é muito do nosso feitio ficar postando prévias e dando muitas dicas de coisas que estão sendo investigadas internamente. Então o jeito é aguardar ficar pronto e aí desfrutar do que foi feito. De toda forma, Karol e Iankoski conseguiram alguns takes bastante promissores e estou aqui no processo de peneiragem e seleção das imagens para que eles façam a pós-produção das mais geniais. Ah, desta vez não lançaremos o cd em versão física (pedimos perdão aos colecionadores), mas esta decisão também é irreversível.
Tudo no Musique, e aí incluem-se a arte e os clipes que fizemos, sempre primou por uma grande dose de experimentalismo. Quando o André Flores fez as primeiras capas, ele as fez sem cobrar um centavo sequer - apenas guiado pelo desejo de fazer experiências artísticas. Da mesma forma, quando fizemos o clipe de animação com o Ozi, que teve um custo ridiculamente baixo, isto foi uma experiência bem diferente para o desenhista, e que veio por enriquecer sobremaneira a exposição visual do Musique. Os clipes feitos com fotografia com a Ana Carolina Sanches também foram um passo a frente que demos, disponibilizando um álbum todinho (o Sectors) em versão visual. Assim como as loucuras pedéstricas com o JF e com a arte que descolamos para o Silhouettes. 100% experimentação. 
Sempre fizemos muitas parcerias durante esses quase dez anos de música. Com o Emílio, Caveira, Renato e Mundo Moinho na produção (e quem produzirá este último?...). Com os vários vocalistas que participaram e deram um charme peculiar aos álbuns passados. Aprendemos muito com os ingleses do Massive Attack nestes anos - colaborações externas podem ser como fusões que elevam a música e a arte a patamares ainda mais elevados de qualidade, pois aí temos uma pluridade de esforços indo ao seu ponto máximo de envolvimento.
Por tudo isso encerramos este post neste tom de gratidão a todos estes envolvidos e que embarcaram, seja direta ou indiretamente, neste aventureiro manancial de experimentações que tornaram-se os cds (e aspectos adjacentes) do nosso Musique.

Hasta la vista, baby!

 

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Por que encerrar?

                                                     Extremes, primeiro álbum do Musique

Musique foi criado em 2004, no meio das gravações do Dark Sparks da Aberdeen, pois sentíamos a necessidade de incluir alguns loops ao álbum. Nessa época aqui em Rio Grande, loops e partes eletrônicas em músicas próprias eram coisas ainda pouco exploradas. Pedimos ao Emílio Martins (RIP) para que o mesmo elaborasse os loops do álbum. Até hoje, não sei se por preguiça dele ou por ele confiar na nossa visão para os loops, ele me deu pequenas instruções ali mesmo no Estúdio Sonoris para mexer no Fruity Loops, provavelmente o Fruity Versão 3, ainda. Nisso, saíram os loops que você conhece (ou deveria conhecer) para Edge Of Thorns, Swallow My Pride, Freeze, Living My Way. O loop de Girl Song foi feito em parceria por Erlon M e Emílio. 
Mesmo tendo ficado feliz com estes loops, eles soaram ainda distantes do que eu imaginava, então passei a mexer com este programa de loops e experimentar no mesmo. Ainda antes de lançar oficialmente o Dark Sparks, o Musique já havia dois discos com estas tentativas: o Extremes e o Diaphane. É. Realmente foi demorado para lançar o Dark Sparks e foram processos muito rápidos e toda uma miríade de novas possibilidades sonoras aparecendo para lançar estes dois discos do Musique. 
Quase dez anos depois, posso dizer que já consigo fazer loops. Ainda não a nível gringo. Ainda não uso nem 15% do que o Fruity Loops oferece. Mas já consigo transpor para o âmbito musical praticamente tudo o que imagino musicalmente em termos de música eletrônica e ambient. 
Desta forma, o ciclo do Musique chega ao seu fim, pois o objetivo da banda foi alcançado. Talvez não acabe a minha relação com o eletrônico. Mas chega um determinado momento em que precisamos avaliar se os nossos objetivos e metas são alcançados. E posso dizer que o Musique superou - e superará ainda mais com este último disco - a ambição de entender um pouco mais o encantador mundo da composição de música eletrônica. Mundo este do qual já sinto saudades. Mas este adeus é um definitivo, como todos deveriam ser. 

See you later, alligator!

terça-feira, 30 de abril de 2013

As Inspirações


Sectors, quarto álbum do Musique

O novo e último álbum do Musique começou a ser gerado da mesma maneira que o Soundtracks For Pedestrians. Caminhando pelas ruas e tendo ideias melódicas e de bases e vibes que pudessem ser a base dessas melodias. A direção que esta coisa parece que vai tomar é algo novo, mas ao mesmo tempo abrangendo pedaços e prestando tributo a todos os outros discos do Musique. Feels like home. Soa como Musique velho e tem elementos nunca vistos antes na música dessa entidade. Mas obviamente não será uma fuga tão radical do convencional, como foi feito em Silhouettes. Ali realmente foi um clamor por criatividade, mas acho que agora que estamos encerrando a carreira, quisemos realmente soar como se fôssemos fãs de todas as fases do Musique, e assim sendo, o álbum soará como dissemos: muito influenciado pelas velharias, mas tentando ir um pouquinho adiante, em especial ao que tange ao replay value do álbum. Acho que este disco, ao final, soará muito catchy. Catchy como nunca fomos antes.


See you later, alligator, já diria a Dani Larrosa.