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quinta-feira, 5 de julho de 2018

Top 10 Discos Pessoais - 10a Posição

Buenas, amigos, transeuntes virtuais e desafetos não declarados: meu nome é Rick Soares, faço o 3 Gerações na FurgFM aos sábados e terças (no qual teimosamente ainda divulgo música riograndina), e o meu top dez de discos segue sendo rigorosamente o mesmo desde que eu montei uma lista para o 'Imprensa Musical em Rio Grande', no orkut. Eu tenho essa lista de top 25 de todos os tempos num bloco de notas, e as posições 11-25 ocasionalmente dão umas "cambeadas", mas o top dez por si sol (sic) vem se mantendo intacto há mais de 10 anos - e não é por falta de buscar novidades - quem checa esse blog todo mês de dezembro (que é quando escolho meus tops do ano) percebe que sigo sempre na busca pela batida perfeita. Enfim, eu topei fazer esse top 10 regressivo (do 10 até o 1) por dois motivos: a) sempre é uma honra ser lembrado e mencionado pelos artistas que fazem arte, então 'brigadão Mr. Côwsta; b) (escrever sobre música) é algo que se fazia normalmente no Imprensa Musical RG, e era tão frutífero! Agora tá todo mundo se deliciando fazendo suas listas, mas não se misturava no Imprensa sabe-se lá deus por quê (tell me what you want - what you really, really want). Não vou marcar ninguém, mas estão todos convidados. É só botar no face "eu li o 1o parágrafo do Rick e me escalei".

Essa parte de publicar textos sobre música é um troço que sempre me gera uma certa intranquilidade, porque, vejam: eu não sou um bom músico, não sou estudado, não entendo de música, ninguém gosta de ler - e pior ainda se for um texto dum zé ninguém; porém, gosto muito, significa muito, e levo mais a sério do que um certo número de pessoas. Mas, no fundo, é só mais uma pessoa a ter uma opinião. Um gosto. Nunca foi e nunca será nada panfletário, com nenhum intento impositório, até porque a graça da coisa toda é descobrir que certos álbuns (que a gente nem dá assim tanta bola) afetam pessoas.

Introduções a parte, meu décimo listado é este motherfucker de 1993 que me representa demais - e não é a toa que recebeu a camisa 10: é um álbum que abraça em suas músicas: muita atmosfera, muito peso, muita beleza, muita melancolia da boa, muito deboche, muito sarcasmo; mas nada disso valeria se não houvesse um foco absurdo no aspecto composicional. Na montagem da coisa. No fluir entre as partes e naquele 'diálogo' que dinamiza o álbum.

Um álbum tão versátil que tem umas coisas simples e perfeitas como a cavocada sensacional nas estrofes de 'Christian Woman'. O pop-chiclé metido a progressivo de 'Black Number One'. Os hardcores aqui e ali pra confundir quem não ouviu o álbum anterior. As vinhetas para confundir quem ouviu o álbum anterior. Os doom metals, que nem soam tão métal, tamanha a monstruosidade melódica, que dilacera a sustentação da frágil bateria programada. Essa profundidade atmosférica que brota de uma forma tão fácil. Esses teclados noturnos, de um outono poético e sombrio, mas que emanam uma vibe divertida de Halloween. As letras eróticas. O pieguismo sagaz. As letras de uma frase só. A forma de pronunciar certos vocábulos do gênio RIP Peter Steele. Et cetera.

Talvez o 'October Rust' (96) seja um opus mais focado overall, mas certos homens têm essa mania de estar vestindo a primeira roupa que viu e dizer "quero essa". O vendedor traz um monte de outras coisas lindas, mas você quer essa just because. Eu escolho o 'Bloody Kisses' justamente pela sua maior gama, por cobrir um pouco mais de chão, e por ter sido a pedra angular, o landmark, o coiso que germinou a inteligência no gófik mérol, mas que, dependendo do modo de vista, pode apenas ter sido um disco pop-crooner carismático com guitarras fuzzeadas.

É uma banda totalmente inimitável. É um disco totalmente insuperável. Mas que ensinou, mesmo que de forma indireta, muitas lições para esse tal Homeless, que estamos tentando divulgar e fazer ser ouvido, digerido, apreciado, compreendido e compartilhado.

Um afago no coração e beijos sangrentos!

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