Time Wasters

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Favoritinhos 2014

15. Musique - Lights And Shades - (Nunca incluo bandas ou trabalhos meus nos meus tops do ano,
mas abri uma exceção, for the career's sake)

14. Sevendust - Time Travelers & Bonfires - Aqui 7dust going acoustic. Algumas músicas novas
feitas nesse formato violístico e algumas regravações versão clean de clássicos, que ficaram
até melhores que as originais elétricas. Foi possível, com essa "limpeza sonora" analisar
melhor as camadas que a banda empilhava nas suas canções pesadas. Resultado? Interessante em
algumas, mas genial na maioria. 'Trust', por exemplo, ficou lindíssima.

13. Lacuna Coil - Broken Crown Halo - Fórmula Lacuna Coil dando desgaste aqui, o que ocasionou
a saída de dois membros de uma formação que vinha há quase 20 anos junta. Cris Scabbia
cantando melhor que nunca, mas Andrea Ferro praticamente deixado de lado. É necessária uma boa
repetição de audições para achar-se coisas sensacionais aqui, mas elas estão presentes.
'Hostage To The Light' e 'I Burn In You' devem ser minhas favoritas.

12. P.O.D. - SoCal Sessions - Tal como o álbum do 7dust, o P.O.D. fez o seu unplugged. Aqui
apenas regravações. Eu geralmente não incluo esse tipo de álbum nos meus tops, optando por
ineditismo, mas como sou nostálgico ao extremo, não deixa de ser uma viagem curtir a re-
roupagem dessas músicas que foram presença constante nos tempos em que o rock alternativo era
o troço mais pesado que havia no mundo. Adoraria que saísse em DVD. 'Youth Of The Nation'
acústica destacou uma melancolia que eu não havia notado na versão pesada.

11. At The Gates - At War With Reality - Oh, os mestres do Gotemburgo Metal! Sempre que uma
banda que tem uma supremacia em um estilo musical retorna, fica a pergunta "Será que seguirão
reinando?" Aqui foi uma resposta fácil. At The Gates lançou um álbum absolutamente digno de
seus melhores momentos. Claro que está mais para circa 1995 do que para os seus primórdios,
mas a qualidade composicional está, eu diria, ampliada e amadurecida. Matador.

10. Machine Head - Bloodstone & Diamonds - Após um ou dois álbuns cansativos, formulaicos e
pretensamente modernosos e bandwagon metalcore, o MH focou um pouco mais em peso e tirou
aquele excesso de melodia alegre que vinha sendo apresentada. Eles seguem podendo fazer melhor
que isso, mas aqui temos um retorno ao caminho certo. A saída de Adam Duce não causou maiores
danos na personalidade da banda, e eles seguem sendo a melhor banda ao vivo do mundo.

09. Carcass - Surgical Remission/Surplus Steel - EP contendo os B-Sides do Surgical Steel. A
gente que conhece a obra do Carcass sabe que eles só colocam músicas como B-Sides porque é
impossível lançar todas nos álbuns oficiais. É como dizem esses técnicos de futebol atuais:
"nosso time não tem reserva... somos um grupo coeso..." Todas as faixas desse EP poderiam
estar no disco oficial e o álbum seguiria sendo a obra-prima que foi. Long live!

08. Prong - Ruining Lives - Caramba. Nono álbum do Prong. Nos últimos 11 anos, a banda lançou
4 álbuns e todos são magníficos. Aí cê pega os tálica da vida, que desde 2008 só lançam uma
Lords of Summer meia boquinha. Por que o fã de metal curte bajular bandas inoperantes e que há
duas ou três décadas estão longe do seu auge? Isso eu nunca vou entender. Dê uma chance a quem
trabalha duro e levanta a barra da arte, como o Prong. Perceba que há um presente e um futuro
num estilo musical cuja filosofia principal é olhar para trás.

07. Chevelle - La Gárgola - Business as usual. Chevellinho vai ali lança um álbum sensacional,
faz sua tour, volta para casa. Lança outro álbum absurdo de pesado e com a mesma personalidade
e identidade. Turnê. Casa. Aqui neste álbum, a banda soou um pouco mais básica. Elevaram o
peso e retiraram um pouco de arranjos periféricos. Há alguns flertezinhos com o pós-rock, mas
tratam-se apenas de experimentos, que nada afetaram o padrão Chevelle de qualidade.
 
06. Phil Rudd - Head Job - Ninguém esperava que 2014 seria o ano mais marcante da carreira do
baterista do AC/DC. Um músico problemático e com várias passagens policiais, mas em geral
bastante discreto, assim como tudo que roda em torno da carreira da banda. Só que em 2014, o
Phil Rudd barbarizou na sua vida pessoal, extrapolando a discrição de sempre e ganhando as
páginas de todos os noticiários. Deixou o AC/DC na mão, mas lançou esse álbum solo aqui que é
uma patada de rock 'n' roll. Mais abrangente que sua banda principal mas com a mesma paulada
certeira e pesada, que é sua marca registrada. Um disco inesperadamente bom e muito agradável.

05. Black Stone Cherry - Magic Mountain - Florida Georgia Line e Luan Santana têm usado e
abusado da canção 'Stay', composta por esses caras aqui no seu álbum antecessor. Isso só
mostra o quanto o BSC é uma banda com talento para compor hits. Aqui no disco novo, eles
largaram um pouco o lado acessível e FM do 3o álbum e concentraram-se em desafiar-se
musicalmente. Há bastantes riffs loucos e complexos, construções sonoras pouco usuais e uma
ótima dose de criatividade abundante, sem deixar de soar como eles sempre soaram, com esse
acento sulista muito carismático. O refrão da faixa-título é algo!

04. Theory Of A Deadman - Savages - TOAD é uma canadense que foi (ou é) 'mentorizada' pelo
Chad Kroeger, do Nickelback; portanto, sempre rolou aquela influência. No entanto, há anos que
o TOAD já superou o seu mestre musicalmente. Enquanto o Nickelback anda meio perdido, tentando
ser pop dançante, ou country, ou metalzão, ou moderno e nada disso funciona muito bem, o TOAD
não dá muita importância ao mercado e toca o seu pós-grunge FM com sinceridade, lançando seu
álbum mais obscuro e pesado até o momento. 'The Sun Has Set On Me' e 'Misery Of Mankind' são,
possívelmente, as melhores músicas da carreira deles. Ah, e que fique registrado: 'Diz Pra Mim', da banda Malta é bem similar à 'Angel', deste álbum aqui (obviamente sem a mesma classe). Coincidência?

03. Bush - Man On The Run - Segundo álbum após o retorno do Bush, Man On The Run chegou meio
de surpresa, sem maiores antecipações. O álbum anterior, The Sea Of Memories, bastante
irregular com seus super hits e com várias músicas mais filler, não era exatamente o melhor
indício de que esse aqui seria ótimo. Só que é. O Bush aqui fez um álbum totalmente coeso,
homogêneo, com muita qualidade composicional, com menos experimentos tecnológicos. Apenas boas
e pesadas canções alternativas. É também o álbum da banda com maior volume de músicas
incluídas: 14. Ora, um álbum com 1h06m de músicas ótimas é uma raridade. Ah, e não soa nada
como Nirvana. Bush aqui encontrou - embora tardiamente - sua identidade musical.

02. Lenny Kravitz - Strut - Capa de disco horrorosa do cão, e ainda contem um poster! Mas se o
'lado imagem' do novo disco do 'seu Kravitz' não está aquela beleza toda, não dá para fechar
os olhos para os avanços sonoros, desde 'Black And White America'. No álbum anterior, Lenny
tentou dar uma roupagem mais soul, fundindo mais funk (US) e black music ao seu rock 'n' roll
confessadamente reciclado - o que na teoria funcionaria bem, pois daria ao seu som uma
singularidade maior. Mas foi só aqui em Strut que essa fusão realmente ocorreu de forma
correta e perfeita. Com músicas melhores e mais seletivo com as ideias, o mestre usou só
material de primeira linha aqui. Ideias bem acabadas e focadas, em oposição ao aspecto
disperso do álbum anterior. Um dos melhores discos de uma carreira muito consistente.
 
01. AC/DC - Rock Or Bust - Primeiramente, a capinha com a lente a la 'tazo' mata a pau! Enfim,
de todos os álbuns da lista, só este tem um certo potencial para ser um clássico imortal. Por
agora, será infelizmente lembrado como álbum que a banda gravou sem o Malcolm Young, ou aquele
cujo o baterista sequer apareceu nos clipes. No futuro ficará a música. E aqui a banda acerta
sempre. Músicas curtas, carismáticas, vigorosas, com ótimas linhas e bases de guitarra, e mais
espaço ainda para o Cliff Williams brilhar no seu baixão. Os hit singles foram escolhas
meio... seguras. 'Rock Or Bust', com seu riff a la 'Nervous Shakedown', sobra em atitude e
paixão rock 'n' roll. 'Play Ball' já é mais pop em pouco, lembrando 'Moneytalks', e acaba
sendo uma boa representante do álbum como um todo, que soa mais acelerado e divertido,
enquanto o anterior, 'Black Ice' era mais sério e sólido. Os grandes filés do álbum são as
faixas 3 ('Rock The Blues Away'), 4 ('Miss Adventure') e 6 ('Got Some Rock & Roll Thunder').
São as melhores músicas que ouvi esse ano. É normal uma banda ter uma música que se destaque e
vire sua trilha sonora. Mas este álbum tem 6 ('Baptism By Fire' é do cacete também), de um
total de 11. Assim sendo, se o álbum tem lá sua heterogeneidade, há muitas músicas aqui que
serão minhas companheiras de anos e anos. Acho lindo quando a arte ganha esse tipo de
significado, adquirindo esse papel integrante na vida de quem a usufrui. Raras bandas fazem
isso como o AC/DC. Os caras poderiam nem lançar mais nada e sair em turnê, ganhar dinheiro,
virar o tálica ou o twistedsister. Mas essa banda é um grande exemplo de amor à arte, cara.
Mesmo em 2014, quando as bandas estão tentando invadir seu celular para roubar-lhe a sua
atenção, o AC/DC está plugando no talo e transpirando rock visceral. Obrigado!

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Data de Lançamento

Se liga aí. 

Nesse sábado próximo, dia 12 de Abril, finalmente acontecerá o lançamento do Lights And Shades. Será no ArtEstação do Cassino, situado na Avenida Rio Grande, número 500, às 20h30. Haverá merchandise à venda. Entrada franca.

Assim como no foi feito no disco Sectors, todas as nove músicas do álbum foram premiadas com produções em video, desta vez feitas pelo artista local Law Tissot. Neste evento estaremos mostrando os nove vídeos, onde a trilha sonora será o disco do Musique. Serão 42 minutos de muita arte de vanguarda e música transcendental. Conheça os trampos do Law Tissot nestes links:
facebook.com/lawtissot

youtube.com/lawtissot

Ainda esta noite, o Law estará pondo nas redes sociais um trailerzinho do evento, contendo um pedaço de um dos vídeos, devidamente sonorizado pelo álbum que compusemos e cobrimos neste site. 

Tudo indica que amanhã, no Jornal Agora (seção O Peixeiro), haverá uma cobertura detalhada de tudo que cercou o Musique e que envolverá o lançamento deste CD.

Despedidas podem ser tristes e comoventes, mas queremos que o nosso adeus seja prazeroso e acolhedor. Uma feliz retribuição a todos os que sempre ajudaram o Musique, curtiram as músicas, entenderam os desafios que propusemos e se permitiram tornar-se uma unidade em conjunto com as nossas músicas.

Os nomes das músicas do CD estarão descritos na matéria do Jornal Agora (a não ser que o Bruno Kairalla tenha editado essa parte), então, por favor, verifiquem a matéria e presenciem o evento no sábado! 

Forte abç.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Capa do CD

Ca está a capa do Lights And Shades. 
Artwork: Karoline Saadi @ SG Photos.
Lights And Shades, sétimo disco do Musique
Quem comprar ou ganhar o CD terá a versão com capa e contra-capa.

Também haverá a versão online, com mais fotos e letras de todas as músicas.
Para os mais observadores, esta é a única capa  do Musique em que há a presença do mesmo.
Alguns CDs já foram entregues e vendidos, mas queremos concentrar o merchandising nos eventos de lançamento.
As datas de tais eventos de lançamento já estão em estágio terminal de agendamento e estruturação.
Em breve mais novidades!
Abs.



















terça-feira, 11 de março de 2014

Nome do CD!

Bem, os de melhor memória e que acompanham este blog lembrarão que houve, por um instante, uma indecisão de minha parte para batizar este CD. A dúvida era apenas uma letra. Minha influência hip-hop dizia que eu tinha que chamar este CD de Lights And Shadez, com Z, para fazer a ponte hip-hop e para ter a última letra do alfabeto como última letra do último CD da nossa carreira. 
Enfim, após algum pensar e olhar o nome com S e com Z, fiquei com o S, porque o nome ficou mais forte assim: Lights And Shades
É um grande representativo de como será a sonoridade do CD. Ele terá muitos momentos de luzes. Ele é mais midtempo e, como disse uma das pessoas que já ouviu o CD "ele é animadinho". Mas ao longo das trilhas, teremos aqueles momentos sombrios e trevosos, que fazíamos muito nos primeiros CDs da banda. 
Ficou um bom balanço de luzes e sombras. Acho que é um nome com a cara do Musique, inclusive perigosamente similar ao nome 'Silhouettes', do álbum anterior. 
Já estou com os CDs físicos na mão, aguardando a melhor oportunidade e local para fazermos a festa de lançamento do álbum, para que você possa curtir os novos sons, além das excelentes imagens do Law Tissot, que serão um grande plus às nossas trilhas doentias. 
See ya!

domingo, 2 de março de 2014

2014

Se em Setembro/2013 a mixagem e masterização andavam por volta dos 90%, seria natural que agora, em Março/2014 estivesse tudo em 100%. Enfim, demos o processo por encerrado, com aquela leve sensação de que era possível deixar soando mais um pouquinho melhor. Mas a medida que íamos fechando as pequenas feridas, aparentemente outras feridas maiores pareciam surgir nas músicas. Então deixamos tudo com aquela cara de "está lindo, mas se você for um cricri como o Musique, você fatalmente achará problemas". Talvez tenha sido por isso que a finalização do Silhouettes e do Soundtracks For Pedestrians foi toda feita por este que vos tecla, ficando mais ou menos seis meses trabalhando nas vozes. 

Enfim, apesar dos pesares foi um processo bastante maluco que teve vários perrengues, mas também de muito aprendizado para o Musique, e certamente para o Pexe (produtor). Tudo começou quando num dia frio e chuvoso de inverno um Musique completamente gripado e entupido de tudo foi fazer os vocais no apartamento do Pexe. Em um dia fizemos todas as camadas da primeira faixa, que era a que mais teria detalhes vocais. Em três noites, fizemos tudo, e como citamos numa postagem anterior, para certas partes as decisões sobre as melodias e letras ficaram para a exata hora de começar a gravar. Não havia nada composto, mas alguns pequenos esboços de como as coisas deveriam soar. Foi ótimo ver a parte de voz tomando forma e o Pexe equalizando a mesma tão perfeitamente, como se ele já tivesse ouvido as versões finalizadas das músicas antes. 

A Karoline está com a arte teimando em não deixar tal status em 100%, mas está tudo pronto, apenas um reparo de dois minutos, um envio e estará tudo perfeito. Em todo encarte do Musique há algum errinho, mesmo com toda a revisão. Aparentemente, este não conterá nenhum. Obviamente que, após o disco sair, acharei algum. Mas é sempre assim mesmo.

Estive com o Law (Tissot, editor de vídeo) para buscar aquele mesmo approach do Sectors de termos vídeos para as faixas e ele se esmerou, apesar da sua agenda apertada e gerou nove vídeos muito bacanas feitos ao seu estilo, sem interferências artísticas. Acho que o Musique deu UMA orientação ao Law, mas isso antes de ele fazer o primeiro vídeo, quando estávamos ainda na fase de nos inteirarmos com o que esse álbum seria. 

Yeah, não está descartada a possibilidade de filmarmos um vídeo mais informal e descolado. Na verdade, isso já esteve até agendado, mas como sabemos, até numa carreira solo dependemos de outros. E acho que posso parar por aqui.

Fiquem antenados, pois planejo postar o nome do álbum, capa, tracklist ainda neste mês, e claro, lançar estas nove músicas também em março (este é o plano). 

Nos vemos!


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Pausa no diário de gravações para teclar sobre meus discos favoritos do ano de
2013!

12. Poisonblack - Lyijy -> Bem, eu não ouvi esse disco assim com a atenção que
este merecia; mas do pouco que eu ouvi, eu gostei de praticamente todas as
músicas, o que vinha sendo raridade nos discos desta fase Hard Rock do
Poisonblack. As composições são melhores, os ganchos sao viciantes e a banda
voltou a ter uma finesse destacada. Foi como rever aquele amor da sua
adolescência - a pessoa está com o visual todo diferente agora, mas ainda te faz
rir e você percebe que aquela conexão cósmica segue existindo.

11. Airbourne - Black Dog Barking -> Já aqui o caso é bem o oposto do anterior.
Airbourne é uma banda de blues/rock visceral e a gente não vê perspectivas disso
mudar. Claro que as comparações ao AC/DC seguirão existindo, mas há elementos de
outras coisas aqui e isso é fácil de notar. O álbum tem um pouco menos de
músicas memoráveis, daquelas que causarão euforia extrema nos shows da banda,
mas há um elemento mais denso e um foco grande nos detalhes composicionais.
 

10. Stone Sour - House Of Gold & Bones - Part 2 -> Oh boy, será que este é o
melhor disco da carreira do Stone Sour? Bom, após a decepção massiva que foi a
Parte 1 da história conceitual, quase que eu não dou ouvidos a este CD aqui, o
que seria uma perda gigante. A impressão que dá é que os caras puseram todas as
faixas melosas e preguiçosas na parte 1 e deixaram o filé todo do alternative
metal intrincado na 2. Sem exagero, lembra até o 'Koi No Yokan' do Deftones em
partes, naquela intenção gelada e mortífera de se criar uma ambiência pesada,
com a identidade do Stone Sour, claro.

09. Korn - The Paradigm Shift -> Bem, eu morri de medo que o Korn estivesse
morto. E acho que se dependesse do vocalista Jonathan Davis, a banda teria
seguido aquele caminho tortuoso do dubstep, como no Path Of Totality. Com a
volta do Head à banda, houve de novo um foco maior em guitarras, peso - aquela
vibração intensa e que foi uma das características que levou o Korn a ter essa
base de fãs fiéis e que nunca esmoreceram - mesmo agora que o new metal não é a
mais a música do momento. Uma boa fusão do velho Korn com alguns elementos
eletrônicos. Provavelmente o melhor disco da banda desde o Issues, sendo
superior ao Untitled.

08. Evile - Skull -> Enquanto a metaleirada fica bajulando os deuses inoperantes
dos anos 90 e 80 e comprando re-re-re edições dos discos velhos e ao vivos
consagrados, felizmente há uma parcela de músicos trabalhadores nesse mundo
pondo boa música nesse mercado. Nesse quarto disco, os ingleses do Evile
desistiram um pouco da ideia de serem mais comerciais, que foi algo que eles
buscaram no Five Serpent's Teeth. Então há mais trampo aqui, mais ambiência,
mais agonia, mais raça. Talvez não seja o álbum definitivo que vai marcar a
banda como tendo uma identidade única, pois seguem rolando aquelas influências
dos heróis dos 80s e 90s, mas os caras vêm nessa busca, mostrando solidez a cada
lançamento.

07. Amorphis - Circle -> A banda prometeu algo menos formulaico para este disco,
após ter feito quatro álbuns formando uma sequência conceitual. Yeah, ele
realmente tem elementos novos e um frescor composicional. Há coisas lá dos
primeiros CDs - e esses acabam sendo os momentos com maior replay value no disco
- e há um pouco de acentos progressivos bem mesclados ao folk metal
característico desses finlandeses. No final das contas, não ficou assim tão
diferente do quarteto de álbuns recém lançado, mas aí também não seria o
Amorphis 2013. De toda forma, deu para notar um esforço em trazer algo novo, mas
convenhamos, não é todo dia que você decide "vou ali compor um Tales From the
Thousand Lakes, Elegy, Tuonela ou Am Universum", discos famosos por serem
incrivelmente originais e geniais.

06. Lacrimas Profundere - Antiadore -> Yeah, essa banda alemã de rock gótico
teve uma troca de vocalista há mais ou menos três discos. Levou um tempo até que
eles conseguissem restabelecer a qualidade de outrora. Mas agora essa qualidade
chegou e como chegou! Esse novo disco tem apenas um erro grave, que é justamente
colocar como lead single e abertura do álbum uma faixa com o vocalista anterior.
Não precisava disso. O novo vocalista simplesmente arrebenta na performance dele
neste álbum e as composições estão ajustadas corretamente para o seu registro.
Fora que o Lacrimas voltou a ser o Lacrimas. Disco bem mais melancólico esse
aqui, os dois ou três anteriores estavam meio "felizes demais para o Lacrimas".
 

05. Filter - The Sun Comes Out Tonight -> É. O Filter falha pouquíssimo. Das
bandas mais consistentes da atualidade. E não é aquele troço formulaico de
sempre. Lógico que tem toda a identidade e uma amplitude de coisas que você já
espera do Filter, mas sempre há uma busca por um plus. Aqui a banda buscou um
pouco mais do espírito dos tempos do Short Bus, mas com a produção e a
mentalidade de 2013. Foi um bom resultado, aquém dos dois últimos discos, é
verdade; mas há belas faixas melódicas, grandes sons peso-pesados e a certeza de
que se fosse um álbum de 99% das bandas de alternative do mundo, esse seria o
melhor disco de suas carreiras. Enfim, mais uma prova cabal de que essa banda
aqui é das mais subestimadas desse injusto mundo.

04. Alter Bridge - Fortress -> Primeira vez que incluo o Alter Bridge em uma

lista de meus favoritos do ano, mas dessa vez não dava de passar incólume à
Fortress. Esse disco é simplesmente espetacular! A banda conseguiu exponenciar
os elementos que deram muito certo em AB III e perderam aquele medo de não terem
singles em potencial. Sério mesmo. Era irritante ver o Alter Bridge sempre se
segurando e lançando aquelas faixas sem sal para soarem mais acessíveis. No AB
III já haviam quase limado esse problema, e agora a questão foi totalmente
sanada. Só sonzão essencial aqui. Nada de filler meloso para agradar teenager. E
os caras estão muito maduros. Os sons possuem uma busca por um ineditismo. Seja
nos riffs bastante intrincados mas com um apuro setentista, seja na duração
maior das músicas, tornando o álbum mais épico, ou até mesmo nas performances
individuais dos músicos, que estão melhores ainda. Um disco essencial.

03. Pearl Jam - Lightning Bolt -> É irritante perceber como esse disco vem sendo
julgado erroneamente. É uma tentativa muito bem sucedida de uma banda que achou
um novo som, uma nova identidade. Desde o Abacate o Pearl Jam soa assim.
Backspacer foi um pouco mais no espírito 'back to basics', e agora nesse novo CD
a banda se aventura, mais ou menos como fez em Yield. Há um leque gigantão de
paisagens sonoras, se comparado aos dois álbuns anteriores (essa deve ser a
referência) e traz uma maturidade musical que beira o inigualável. Os caras
estão muito a frente de tudo musicalmente. Sem dúvida. De toda forma, o Pearl
Jam sempre teve uma boa variedade sonora em seus álbuns, e aqui é exatamente
isso. Só que o público não pode ignorar alguns fatos: que Eddie Vedder descobriu
seu amor pelo folk; que o Abacate é o ponto de partida para essa nova
sonoridade; que Matt Cameron é o baterista com maior rodagem na história da
banda. Feitas essas constatações, ouça o álbum de novo e encante-se.

02. Carcass - Surgical Steel -> Oh, a volta do Carcass! Uma das bandas de metal
mais aventureiras da história retorna sanando sem qualquer hesitação àquela
pergunta óbvia: eles ainda sabem ser o Carcass? Sabem. E se faltou um pequeno
detalhe para esse álbum ser o disco do ano foi que não houve qualquer evolução
desde o que eles faziam nos anos 90s. O Carcass foi o AC/DC nesse disco aqui.
Fizeram o que sempre souberam fazer e o que eles sabem fazer é o melhor metal
que existe. Contém extremismo, melodia, voracidade, vontade, rebeldia
fundamentada, musicalidade absurda. É o pacote completo. E como eles entendem de
dinâmicas! Quando as músicas ameaçam cair numa certa mesmice, lá vão eles lançar
mão de dinâmicas novas sensacionais. Não é o melhor álbum deles. Na verdade,
periga ser até um dos menos bons. Mas isso só reforça o quanto esses caras eram
sensacionais quando estavam no auge.

01. Alice In Chains - The Devil Put The Dinosaurs Here -> Que álbum bem absurdo
esse aqui! Sujo, intenso, inteligente, pesadíssimo, inspirado como ninguém podia
esperar. Ele não peca como o 'Black Gives Way To Blue' pecava nessa necessidade
de lembrar da existência do Layne Staley o tempo todo. Nesse álbum, parecia que
toda música era um tributo à Layne. Já aqui, a banda parece ter soado como uma
unidade nova e revigorada. A gente ouve o álbum, sabe que o mesmo soa como Alice
in Chains 100% do tempo e não fica remetendo quase nunca à coisas que foram
feitas antes. Salvo um ou outro nod ao 'Dirt' ou 'Facelift', as composições soam
realmente como Alice In Chains 2013, e isso nos faz crer que o estoque de
Cantrell e comparsas é inesgotável. OK. Eles não têm assim tantos discos de
estúdio, mas não esqueçamos dos excelentes discos de Cantrell em carreira solo.
O fato é que este álbum aponta para uma direção onde eles soam como uma unidade.
E acho que a banda não tinha um momento assim desde o Dirt. O disco trípode soa
como Cantrell solo. O BGWTB soa como Cantrell solo. O Devil soa como uma banda
unida. E uma banda muito afiada, diga-se.

sábado, 28 de setembro de 2013

Da produção

Bem, conforme havíamos prometido, vamos falar um pouco sobre alguns detalhes da produção do álbum. Após termos dado uma perspectiva global de como cada música soaria no todo do álbum, é hora de abrir um pouco mais o jogo. 

Iniciamos em março de 2012 a concepção deste álbum, bem como com a ideia de que seria o último disco de nossa carreira. As músicas nasceram em caminhadas, como já expusemos em postagens anteriores. Em seguida, fomos caçando o que a cabeça imaginava no Fruity Loops 10. Pacientemente, as peças foram se encaixando e as batidas e vibes começaram a ter vida. A banda vinha há um bom tempo trabalhando com o Fruity Loops 5. Então, termos migrado para o 10 foi um sopro de ar fresco. O software está muito melhorado e mudado. Não oferece AQUELE recurso que o 3 oferecia de 'fit', que a gente usou nos dois primeiros discos e criou aquela sonoridade única, mas trouxe muitos avanços e abriu um grande leque de opções. Vocês notarão que o som do disco estará bastante quente, mesmo soando mais digital do que no Soundtracks e Silhouettes. 

Daí, a busca pelo produtor foi algo que nos tomou muito tempo. Queríamos ser muito minuciosos com os vocais, e precisávamos de alguém muito familiarizado com esse approach experimental. Tínhamos que ter alguém ousado, com bom ouvido, e que fosse rápido (e não muito caro, of course) ao produzir. Então, após termos conhecido o trabalho de dubstep do Gabriel Cozza, ficou muito claro que ele era o elemento que exponenciaria a produção desse disco ao próximo nível. Então, após uma rápida conversa, o Gabriel (a.k.a. Pexe) topou fazer a produção e levei ao mesmo as tracks instrumentais para que ele fosse dando sua roupagem. 

Após uma longa espera por novos softwares para o estúdio do Pexe, em 3 ou 4 noites, fiz os vocais. Eu estava terrivelmente doente e gripado, e é possível notar isso em algumas faixas. Mas, de toda forma, isso não chegou a ser um grande empecilho, pois conseguimos takes sólidos de vocal em todas as tracks. O espírito aventureiro nos vocais predominou nas sessões. Como sempre, músicas que eu não tinha muitas ideias de camadas ou de como povoar os espaços mais instrumentais acabaram tendo bons hooks. Enquanto isso, o Pexe ia pondo efeitos maravilhosos em tudo, acomodando as vozes nas músicas e, claro, tentando todas as possibilidades do mundo. Foi muito divertido e proveitoso. 

Após algumas sessões de mixagem e masterização, conseguimos deixar o material em 90% pronto [as of September 2013]. E aos poucos vamos polindo os últimos detalhes para fecharmos a parte de mixagem e masterização. Como o próprio Gabriel Pexe me disse em um certo momento da gravação "Essa merda tá ficando pesada!" Acho que essa frase simboliza bem como vai soar o disco. Então, continuem sintonizados porque temos ainda algumas últimas informações relevantes a passar antes do lançamento desse nosso lindo filhote, e claro, do término oficial da carreira do Musique. 

Cheers!