Ano passado foi um top 20. Esse ano, um top 15... Foi bem difícil fechar em apenas 15 álbuns! Ano de deixar o sempre presente Prong de fora. O maravilhoso disco novo do Crowbar também não foi escolhido... alguns álbuns que não entraram na minha lista podem ter sido bastante escutados por eu ser um fiel acompanhador da banda (caso de Alter Bridge, 69 Eyes, Meshuggah, Lordi, BSC, Heavenwood, Deftones). Enfim. Por algum motivo os quinze abaixo foram os escolhidos para estar na lista de 2016.
15. Metallica - Hardwired...To Self-Destruct: Por exemplo, o Metallica novo não seria material para top 15 na lista do Rick. O Hardwired só figurou aqui porque ele representou um renascimento inesperado do Metallica na minha vida. Há sons bons no disco, há uns ótimos, outros meio sem sal... o disco é um bocado heterogêneo! O que foi legal aqui foi ver o Metallica parando de calcular tudo e não tentando gerar mídia com coisas extra-música. É o caminho certo, e a maioria dos fãs gostou disso.
14. Metal Church - XI: Os veteranos mais consistentes do metal mundial chegaram a acabar com a banda! Mas com o súbito retorno do Mike Howe aos vocais, a banda lançou mais um álbum muito vigoroso, motivado e coeso. Infelizmente, será obscurecido pelos álbuns dos Big 4 (todos são bons), mas este XI merecia melhor sorte, pois é de uma banda cuja carreira é irrepreensível. 'No Tomorrow' é o maior hit da banda em muito tempo!
13. Death Angel - The Evil Divide: Caramba! Fazia realmente anos que o Death Angel batia na trave nos meus top álbuns, mas dessa vez entraram com esse Evil Divide! Você sabe. O heavy metal não tem trazido nada de muito novo ou revigorante. Então o que vai valer para um álbum ser relevante hoje em dia será a coesão, o apetite, as performances, as composições. Aqui realmente parece que, após algumas trocas de integrantes, eles encontraram uma formação que os levou ao próximo nível nos quesitos que citei. A versão nacional do disco traz uma ótima versão para o clássico 'Wasteland', dos góticos do The Mission.
12. Lacrimas Profundere - Hope Is Here: Os alemães tinham a quase impossível tarefa de superar o 'Antiadore', que era um disco perfeito. Tentaram algo bem ousado, que foi esse álbum conceitual e, com isso, tiveram dificuldade extra em conseguir alcançar aquele nível de ganchos carismáticos do álbum anterior. Nota-se que a banda foi cuidadosa e meticulosa como nunca antes, mas fora a faixa-título (que é um troço lindo demais!), acho que nenhuma outra música deste disco deverá perdurar por muito tempo nos set lists da banda.
11. Lelantos - Akrasia: Surpreendente projeto de Bruno Braga, da também brasileira In Absenthia. Este 'Akrasia' foca no funeral doom metal, deixando transparecer bastantes influências de Shape Of Despair (lembrem que escolhi o 'Monotony Fields' como o disco da década de 10 até o momento; ou seja: adoro esse estilo de música)! Mas não adiantaria apenas que a Lelantos fosse uma cópia qualquer para figurar aqui: Há composições (atos) cavalares e a produção soube mesclar muito bem a atmosfera vocal com a instrumental aqui. A faixa 'On Volitional Entities' é dilacerante!
10. Garbage - Strange Little Birds: Após o irregular 'Not Your Kind Of People', o Garbage entendeu que os flertes com a fase de seus álbuns 3 e 4 não estavam exatamente lhes rendendo os frutos musicais que eram capazes de render. Prometendo a atitude dos seus álbuns 1 e 2, esse álbum novo alcança nos momentos melancólicos e morfinantes os seus melhores resultados. As músicas com maior pique ficaram bem aquém das clássicas dos álbuns 1 e 2, mas as lentas e depressivas chegaram ao mesmo nível! Tenho gostado demais de "So We Can Stay Alive" e "If I Lost You".
09. Candlebox - Disappearing In Airports: Álbum duramente criticado pela mídia e fãs por não ser o rock pesado típico dos grunges do Candlebox. Pessoalmente, adorei ter sido surpreendido com esse approach mais melódico e musical! Os vocais de Kevin Martin ganharam ainda mais espaço, e a banda deu uma modernizada leve na sua identidade, aceitando mais influências do rock europeu atual. A faixa de abertura 'Only Because Of You' poderia ser um tremendo de um hit fantástico se o álbum tivesse o devido marketing e divulgação.
08. Saliva - Love, Lies & Therapy: Pois é. A saída do vocalista Josey Scott só fez bem ao Saliva, que agora com o novo cantor e exímio produtor Bobby Amaru chegam ao segundo álbum sensacional consecutivo, após vários tropeços e álbuns fracos nos últimos anos com Josey Scott. Tendo um grande produtor na banda, os cuidados sonoros aumentaram bastante, e a banda está compondo muito mais pesado agora! Otimos refrãos e riffs criativos - não apenas o new metal de sempre, ou aquele pós-grunge no automático. Não transforme o Saliva numa one-hit wonder: 'Always' é perfeita, realmente! Mas 'Rx' desse novo álbum tem todos os ingredientes para ser um hit gigante. Em geral, o álbum é muito coeso. Eu cortaria apenas uma ou outra balada, porque eles têm composto tremendos rockaços certeiros!
07. Filter - Crazy Eyes: Filter retornando às raízes com tudo! Disco bem eletrônico aqui, incrivelmente pesado e raivoso, com os vocais sempre absurdos do Richard Patrick. No entanto, o Filter, por uns 15 anos, vinha sendo uma banda de alternative - o que ajudou a dar a esse álbum uma originalidade e um frescor muito grandes. É um ótimo balanço da esquizofrenia do 'Short Bus' com a classe do 'The Trouble With Angels', com vantagem para a esquizofrenia, é claro. Eles vêm tocando várias músicas desse material novo ao vivo e a recepção vem sendo ótima! É um disco com uma energia insuperável, e creio que o Filter seguirá esse caminho por mais tempo.
06. 3 Doors Down - Us And The Night: Oh! O 3 Doors Down está soando mais feliz nesse álbum! Yeah. Nessa época, o guitarrista Matt Roberts, agora falecido, tinha saído da banda para tentar tratar sua (fatal) doença. Então, creio que o vibe na banda estava mais leve, o que culminou em sons maduros, porém mais uptempo, além de "rocks-noturnos-festa" e modernos. A banda permitiu-se experimentar um pouco mais e sair da sua zona de conforto, elevando bastante o nível de suas composições e letras. 'In The Dark' e 'The Broken' não devem nada para a clássica 'Kryptonite'. Um álbum que aponta para uma evolução musical do 3 Doors Down, o que era algo que poucos poderiam ter previsto!
05. Bon Jovi - This House Is Not For Sale: Tenho total consciência que 98% dos fãs do Bon Jovi são os fãs da fase oitentista/hard da banda. 1% é fã ali do momento intermediário com os álbums These Days, Crush, Have A Nice Day, talvez até The Circle. Eu estou no 1% que acha que a banda está melhor do que nunca nos dois últimos discos - a saber: What About Now (eu não considero o Burning Bridges um registro válido, pois compilou sobras) e esse novo aqui. Primeiro álbum da banda sem o icônico guitarrista Richie Sambora, 'This House Is Not For Sale' vem com um certo gosto de "temos o que provar", e essa gana exala das faixas do disco, embora ele seja, estilisticamente, uma continuação lógica do What About Now. Disco muito maduro, sem gritarias ou performances exuberantes, mas com uma proposta coletiva de grandes canções com significado, apresentando um mínimo flerte com música eletrônica, além claro, dos já previsíveis enxertos de música country. Ideal para pessoas com a mente aberta para um rock mais cadenciado e eclético!
04. Korn - The Serenity Of Suffering: Galera radical que dizia que o Korn não era o Korn sem o guitarrista Head: vocês estavam certos! Segundo álbum após o retorno de Head à banda, 'The Serenity Of Suffering' supera com facilidade o álbum anterior (que já era bem bom) 'The Paradigm Shift', que marcava uma espécie de despedida do Korn dos elementos mais trip-hop e lounge do som da banda. Realmente, no álbum mais novo, a banda foi com tudo naquela intenção mais pesada de se fazer som e se saiu muito bem! É um álbum que remete, sem forçação de barra, aos tempos de "Follow The Leader" e "Issues", um pouco menos eclético e mais raivoso. Praticamente tudo no álbum soa explosivo, perigoso, genuíno e com aquela motivação inconsequente do início da banda - o que é algo muito difícil de ser feito por qualquer banda mainstream americana em uma gravadora grande nos dias de hoje. Muitos tentam, mas ninguém soa mais pesado do que o Korn quando eles tentam ser pesados!
03. Katatonia - The Fall Of Hearts: Após alguns álbuns um pouco mais leves e melódicos, que culminaram em um álbum acústico, o Katatonia chega em 'The Fall Of Hearts' com aquele peso e habilidade instrumental da trinca Viva Emptiness, The Great Cold Distance e Night Is The New Day, mais a sua expertise melódica e seu incrível senso eclético desenvolvido nos últimos anos. Quando menciono o ecletismo, isso significa que, mesmo agregando elementos novos no seu som, a banda soube como manter sua identidade sonora intacta. São coisas que desafiam os músicos da banda, bem como os fãs. Outra grande melhora do Katatonia neste álbum novo diz respeito aos ganchos melódicos de vocal: a impressão que a banda nos passava era que, nos discos recentes, esse não era mais o foco. Mas neste álbum novo, este aspecto não foi deixado de lado e temos, além de tudo que já citei, grandes refrãos e melodias vocais altamente cativantes. Por ser uma banda muito única, este álbum não é uma audição fácil para qualquer fã de música, mas prova ser um ótimo ponto de partida para o fã interessado em conhecer a banda, pois engloba tudo que faz a banda ser relevante e sensacional!
02. Helmet - Dead To The World: Meu Top 2 desse ano talvez desaponte o fã de música que não seja um obcecado por alternative pesado, pois colocarei álbuns que são feitos para quem é total adepto deste nicho. Iniciando com 'Dead To The World', do Helmet, que é um álbum que é muito significativo por vários aspectos. Especialmente pela variedade de emoções que o álbum permitiu e conseguiu explicitar ao fã. Sons peso-pesados? Sim. O álbum possui! É um álbum do Helmet, então isso já é esperado. Sons mais descontraídos? Sim. Possui! Nota-se isso em alguns dos títulos das músicas, nos solos mais pegajosos e assoviáveis, nas melodias de vocal mais compreensíveis e na perceptível diversão do processo. Atmosferas miseráveis e dilacerantes? Sim! Possui muitas! E é aqui o grande acerto do álbum. Ele não é tímido em ser miseravelmente atmosférico nas partes limpas (faixa-título), nas partes sujas, rápidas e lentas. Aliás, algumas faixas mais lentas são super não-frenéticas, como "Look Alive", mas cara... como são expressivas! É facilmente o meu segundo álbum favorito do Helmet (pós-Stanier, claro), perdendo por pouco para o 'Monochrome'.
01. Chevelle - The North Corridor: falar sobre o Chevelle é um troço meio restrito, meio previsível... eles não mudam a identidade sonora e a gente já sabe o que esperar da banda antes mesmo do álbum sair. O que não se sabe é se as músicas novas serão boas, muito boas, ótimas ou sensacionais. Normalmente, elas aparecem alternadas nos álbuns, como por exemplo nos últimos bons dois últimos registros 'Hats Off To The Bull' e 'La Gárgola', que tinham momentos bons, mesclados aos indispensáveis. Aqui no North Corridor é só ótimo ou sensacional. Mesmo quando é apenas ótimo, é bem perto do sensacional! A banda simplesmente conseguiu trazer um disco bem perto do perfeito em 2016, o que foi até meio surpreendente, porque as vezes a gente imagina que a fonte possa estar secando - especialmente quando uma banda faz sempre o mesmo estilo de som, como o Chevelle! Eles optaram por uma produção mais simples nesse álbum, colocando os graves e médios bem destacados. Isso foi um grande acerto! Deixou suas músicas com um low-end muito impactuoso. Outro aspecto é que eles aperfeiçoaram a composição daquelas faixas que não eram muito melódicas, e as faixas que não eram "as mais importantes" do disco têm um algo a mais e tornaram-se semi-hits. Aliás, este álbum é tão coeso e homogêneo que a gente não consegue achar um hit... mas partes de quase todos os sons são facilmente lembráveis, fazendo deste o álbum mais fodido do ano, por sua ótima coesão, coerência, competência e crueza!
15. Metallica - Hardwired...To Self-Destruct: Por exemplo, o Metallica novo não seria material para top 15 na lista do Rick. O Hardwired só figurou aqui porque ele representou um renascimento inesperado do Metallica na minha vida. Há sons bons no disco, há uns ótimos, outros meio sem sal... o disco é um bocado heterogêneo! O que foi legal aqui foi ver o Metallica parando de calcular tudo e não tentando gerar mídia com coisas extra-música. É o caminho certo, e a maioria dos fãs gostou disso.
14. Metal Church - XI: Os veteranos mais consistentes do metal mundial chegaram a acabar com a banda! Mas com o súbito retorno do Mike Howe aos vocais, a banda lançou mais um álbum muito vigoroso, motivado e coeso. Infelizmente, será obscurecido pelos álbuns dos Big 4 (todos são bons), mas este XI merecia melhor sorte, pois é de uma banda cuja carreira é irrepreensível. 'No Tomorrow' é o maior hit da banda em muito tempo!
13. Death Angel - The Evil Divide: Caramba! Fazia realmente anos que o Death Angel batia na trave nos meus top álbuns, mas dessa vez entraram com esse Evil Divide! Você sabe. O heavy metal não tem trazido nada de muito novo ou revigorante. Então o que vai valer para um álbum ser relevante hoje em dia será a coesão, o apetite, as performances, as composições. Aqui realmente parece que, após algumas trocas de integrantes, eles encontraram uma formação que os levou ao próximo nível nos quesitos que citei. A versão nacional do disco traz uma ótima versão para o clássico 'Wasteland', dos góticos do The Mission.
12. Lacrimas Profundere - Hope Is Here: Os alemães tinham a quase impossível tarefa de superar o 'Antiadore', que era um disco perfeito. Tentaram algo bem ousado, que foi esse álbum conceitual e, com isso, tiveram dificuldade extra em conseguir alcançar aquele nível de ganchos carismáticos do álbum anterior. Nota-se que a banda foi cuidadosa e meticulosa como nunca antes, mas fora a faixa-título (que é um troço lindo demais!), acho que nenhuma outra música deste disco deverá perdurar por muito tempo nos set lists da banda.
11. Lelantos - Akrasia: Surpreendente projeto de Bruno Braga, da também brasileira In Absenthia. Este 'Akrasia' foca no funeral doom metal, deixando transparecer bastantes influências de Shape Of Despair (lembrem que escolhi o 'Monotony Fields' como o disco da década de 10 até o momento; ou seja: adoro esse estilo de música)! Mas não adiantaria apenas que a Lelantos fosse uma cópia qualquer para figurar aqui: Há composições (atos) cavalares e a produção soube mesclar muito bem a atmosfera vocal com a instrumental aqui. A faixa 'On Volitional Entities' é dilacerante!
10. Garbage - Strange Little Birds: Após o irregular 'Not Your Kind Of People', o Garbage entendeu que os flertes com a fase de seus álbuns 3 e 4 não estavam exatamente lhes rendendo os frutos musicais que eram capazes de render. Prometendo a atitude dos seus álbuns 1 e 2, esse álbum novo alcança nos momentos melancólicos e morfinantes os seus melhores resultados. As músicas com maior pique ficaram bem aquém das clássicas dos álbuns 1 e 2, mas as lentas e depressivas chegaram ao mesmo nível! Tenho gostado demais de "So We Can Stay Alive" e "If I Lost You".
09. Candlebox - Disappearing In Airports: Álbum duramente criticado pela mídia e fãs por não ser o rock pesado típico dos grunges do Candlebox. Pessoalmente, adorei ter sido surpreendido com esse approach mais melódico e musical! Os vocais de Kevin Martin ganharam ainda mais espaço, e a banda deu uma modernizada leve na sua identidade, aceitando mais influências do rock europeu atual. A faixa de abertura 'Only Because Of You' poderia ser um tremendo de um hit fantástico se o álbum tivesse o devido marketing e divulgação.
08. Saliva - Love, Lies & Therapy: Pois é. A saída do vocalista Josey Scott só fez bem ao Saliva, que agora com o novo cantor e exímio produtor Bobby Amaru chegam ao segundo álbum sensacional consecutivo, após vários tropeços e álbuns fracos nos últimos anos com Josey Scott. Tendo um grande produtor na banda, os cuidados sonoros aumentaram bastante, e a banda está compondo muito mais pesado agora! Otimos refrãos e riffs criativos - não apenas o new metal de sempre, ou aquele pós-grunge no automático. Não transforme o Saliva numa one-hit wonder: 'Always' é perfeita, realmente! Mas 'Rx' desse novo álbum tem todos os ingredientes para ser um hit gigante. Em geral, o álbum é muito coeso. Eu cortaria apenas uma ou outra balada, porque eles têm composto tremendos rockaços certeiros!
07. Filter - Crazy Eyes: Filter retornando às raízes com tudo! Disco bem eletrônico aqui, incrivelmente pesado e raivoso, com os vocais sempre absurdos do Richard Patrick. No entanto, o Filter, por uns 15 anos, vinha sendo uma banda de alternative - o que ajudou a dar a esse álbum uma originalidade e um frescor muito grandes. É um ótimo balanço da esquizofrenia do 'Short Bus' com a classe do 'The Trouble With Angels', com vantagem para a esquizofrenia, é claro. Eles vêm tocando várias músicas desse material novo ao vivo e a recepção vem sendo ótima! É um disco com uma energia insuperável, e creio que o Filter seguirá esse caminho por mais tempo.
06. 3 Doors Down - Us And The Night: Oh! O 3 Doors Down está soando mais feliz nesse álbum! Yeah. Nessa época, o guitarrista Matt Roberts, agora falecido, tinha saído da banda para tentar tratar sua (fatal) doença. Então, creio que o vibe na banda estava mais leve, o que culminou em sons maduros, porém mais uptempo, além de "rocks-noturnos-festa" e modernos. A banda permitiu-se experimentar um pouco mais e sair da sua zona de conforto, elevando bastante o nível de suas composições e letras. 'In The Dark' e 'The Broken' não devem nada para a clássica 'Kryptonite'. Um álbum que aponta para uma evolução musical do 3 Doors Down, o que era algo que poucos poderiam ter previsto!
05. Bon Jovi - This House Is Not For Sale: Tenho total consciência que 98% dos fãs do Bon Jovi são os fãs da fase oitentista/hard da banda. 1% é fã ali do momento intermediário com os álbums These Days, Crush, Have A Nice Day, talvez até The Circle. Eu estou no 1% que acha que a banda está melhor do que nunca nos dois últimos discos - a saber: What About Now (eu não considero o Burning Bridges um registro válido, pois compilou sobras) e esse novo aqui. Primeiro álbum da banda sem o icônico guitarrista Richie Sambora, 'This House Is Not For Sale' vem com um certo gosto de "temos o que provar", e essa gana exala das faixas do disco, embora ele seja, estilisticamente, uma continuação lógica do What About Now. Disco muito maduro, sem gritarias ou performances exuberantes, mas com uma proposta coletiva de grandes canções com significado, apresentando um mínimo flerte com música eletrônica, além claro, dos já previsíveis enxertos de música country. Ideal para pessoas com a mente aberta para um rock mais cadenciado e eclético!
04. Korn - The Serenity Of Suffering: Galera radical que dizia que o Korn não era o Korn sem o guitarrista Head: vocês estavam certos! Segundo álbum após o retorno de Head à banda, 'The Serenity Of Suffering' supera com facilidade o álbum anterior (que já era bem bom) 'The Paradigm Shift', que marcava uma espécie de despedida do Korn dos elementos mais trip-hop e lounge do som da banda. Realmente, no álbum mais novo, a banda foi com tudo naquela intenção mais pesada de se fazer som e se saiu muito bem! É um álbum que remete, sem forçação de barra, aos tempos de "Follow The Leader" e "Issues", um pouco menos eclético e mais raivoso. Praticamente tudo no álbum soa explosivo, perigoso, genuíno e com aquela motivação inconsequente do início da banda - o que é algo muito difícil de ser feito por qualquer banda mainstream americana em uma gravadora grande nos dias de hoje. Muitos tentam, mas ninguém soa mais pesado do que o Korn quando eles tentam ser pesados!
03. Katatonia - The Fall Of Hearts: Após alguns álbuns um pouco mais leves e melódicos, que culminaram em um álbum acústico, o Katatonia chega em 'The Fall Of Hearts' com aquele peso e habilidade instrumental da trinca Viva Emptiness, The Great Cold Distance e Night Is The New Day, mais a sua expertise melódica e seu incrível senso eclético desenvolvido nos últimos anos. Quando menciono o ecletismo, isso significa que, mesmo agregando elementos novos no seu som, a banda soube como manter sua identidade sonora intacta. São coisas que desafiam os músicos da banda, bem como os fãs. Outra grande melhora do Katatonia neste álbum novo diz respeito aos ganchos melódicos de vocal: a impressão que a banda nos passava era que, nos discos recentes, esse não era mais o foco. Mas neste álbum novo, este aspecto não foi deixado de lado e temos, além de tudo que já citei, grandes refrãos e melodias vocais altamente cativantes. Por ser uma banda muito única, este álbum não é uma audição fácil para qualquer fã de música, mas prova ser um ótimo ponto de partida para o fã interessado em conhecer a banda, pois engloba tudo que faz a banda ser relevante e sensacional!
02. Helmet - Dead To The World: Meu Top 2 desse ano talvez desaponte o fã de música que não seja um obcecado por alternative pesado, pois colocarei álbuns que são feitos para quem é total adepto deste nicho. Iniciando com 'Dead To The World', do Helmet, que é um álbum que é muito significativo por vários aspectos. Especialmente pela variedade de emoções que o álbum permitiu e conseguiu explicitar ao fã. Sons peso-pesados? Sim. O álbum possui! É um álbum do Helmet, então isso já é esperado. Sons mais descontraídos? Sim. Possui! Nota-se isso em alguns dos títulos das músicas, nos solos mais pegajosos e assoviáveis, nas melodias de vocal mais compreensíveis e na perceptível diversão do processo. Atmosferas miseráveis e dilacerantes? Sim! Possui muitas! E é aqui o grande acerto do álbum. Ele não é tímido em ser miseravelmente atmosférico nas partes limpas (faixa-título), nas partes sujas, rápidas e lentas. Aliás, algumas faixas mais lentas são super não-frenéticas, como "Look Alive", mas cara... como são expressivas! É facilmente o meu segundo álbum favorito do Helmet (pós-Stanier, claro), perdendo por pouco para o 'Monochrome'.
01. Chevelle - The North Corridor: falar sobre o Chevelle é um troço meio restrito, meio previsível... eles não mudam a identidade sonora e a gente já sabe o que esperar da banda antes mesmo do álbum sair. O que não se sabe é se as músicas novas serão boas, muito boas, ótimas ou sensacionais. Normalmente, elas aparecem alternadas nos álbuns, como por exemplo nos últimos bons dois últimos registros 'Hats Off To The Bull' e 'La Gárgola', que tinham momentos bons, mesclados aos indispensáveis. Aqui no North Corridor é só ótimo ou sensacional. Mesmo quando é apenas ótimo, é bem perto do sensacional! A banda simplesmente conseguiu trazer um disco bem perto do perfeito em 2016, o que foi até meio surpreendente, porque as vezes a gente imagina que a fonte possa estar secando - especialmente quando uma banda faz sempre o mesmo estilo de som, como o Chevelle! Eles optaram por uma produção mais simples nesse álbum, colocando os graves e médios bem destacados. Isso foi um grande acerto! Deixou suas músicas com um low-end muito impactuoso. Outro aspecto é que eles aperfeiçoaram a composição daquelas faixas que não eram muito melódicas, e as faixas que não eram "as mais importantes" do disco têm um algo a mais e tornaram-se semi-hits. Aliás, este álbum é tão coeso e homogêneo que a gente não consegue achar um hit... mas partes de quase todos os sons são facilmente lembráveis, fazendo deste o álbum mais fodido do ano, por sua ótima coesão, coerência, competência e crueza!
