Time Wasters

domingo, 4 de agosto de 2013

Faixa Sete

Ae. 
Cara, a faixa sete do disco será uma instrumental. E quando digo instrumental, ela é realmente sem nada de vocal. O Musique teve a 'Loneliness' no Soundtracks For Pedestrians, que seria uma faixa instrumental, mas aí inserimos o robô. Arriscamos violentamente naquele approach, já que estávamos vindo de um disco 100% instrumental e outro com apenas 2/6 faixas com vocal. Aí no Soundtracks todas tiveram vocais, porém a 'Loneliness' fez bem esse link com o tínhamos feito em 'Lounge', no Reverse - com os vocais programados no robozinho simpático do Fruity. A 'Passage' do Silhouettes foi toda instrumental, mas não era bem uma faixa com início, meio e fim, era mais algo para setar o tom para a Universal (tanto que ela se chamaria Intro: Universal, mas mudei o título no último minuto) Enfim, aqui nesta faixa não há QUALQUER vocal. É o Diaphane sendo trazido de volta quase que sem re-roupá-lo. 

Basicamente, se há algo aqui que reflita alguma evolução artística é a melhor produção, pois a música soa como 2004 MESMO: 4 notas em caída com a quarta delas em dissonância, camada em cima de camada vindo e somando ao todo harmônica ou não-harmonicamente, meião musical profundo e obscuro, e aquela bem costurada e tramada retomada ao início. Diaphane essencial aqui, e foi a última faixa feita para o disco. O plano era fechar o registro em oito faixas, mas aí aquele diabinho da minha mente que há anos urgia por uma instrumental a la 2004 venceu o braço de ferro com o anjinho da evolução e do olhar pra frente. Devo dizer felizmente.

Na verdade, o que a gente trouxe de elemento novo aqui foi um pouquinho de polirritmia, o que é algo pouco usado aqui na minha cidade. Até há pessoas que ouvem o Tool, o Meshuggah e outras bandas que fazem uso da polirritmia, mas infelizmente não o aplicam em sua música. Salvo uma levada na faixa 'Get Away', da Rage Inc. composta pelo Alex Castanheira (ou talvez pelo Erlon M.), eu não lembro nada que tenha feito uso deste recurso em composições próprias aqui na cidade. No Silhouettes trouxemos um pouco disso na faixa 'Plead', e ficou do cacete. Agora houve espaço para usar aqui também, um pouco menos complexo do que na composição de 2012, mas ele está ali, e todo mundo que conheceu a faixa até agora adorou o que fizemos nesses termos. Ou seja, aqui está mais discreto, mas bem melhor composto. 

Bem, só há mais duas faixas para falarmos sobre. Então fiquem ligados, pois são as faixas mais diferentes do álbum. Ele vinha nessa continuidade midtempo e super soundtracky. Agora, as faixas de encerramento quebram esta sequência, e terão alguns experimentos diferenciados. Serão faixas mais perturbadoras um pouco, ou como diria o Régis resenhando o Sectors, trazendo um lado com mais essência trippy - porém sem fugir ao desafio de quebrar paradigmas sonoros.

Ah, a faixa instrumental possui um título em castelhano, assim como a nossa faixa de 2004 'La Chocallia', do Diaphane. Vem sendo muito legal tentar superar este disco, que sempre foi o meu favorito overall. Acho que o novo finalmente conseguirá a façanha. Tudo indica que sim. 

Forte abraço!

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