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terça-feira, 10 de julho de 2018

Top 10 Discos Pessoais - 8a Posição


Meu oitavo álbum favorito aqui listado é um disco bastante inusitado e representa bem o porquê de eu ser um levantador assíduo da bandeira do alternative. De novo: não é panfletarismo. É só um gosto pessoal.

Betty é o terceiro disco do Helmet. É de 1994. Um disco que nem precisaria da minha vã tentativa de venda: veja essa menina inocente e essa capa coloridinha meiga. O nome da banda é capacete, cara. Antes era Purple Helmet, mas a gravadora sacou a piada a tempo. O nome do disco é Bete. Tipo Elizabete mesmo. Talvez seja mesmo uma gíria para "menina gata", mas até aí você está longe de ter um álbum de rock perigoso em mãos.

O primeiro álbum do Helmet, o Strap It On, era mais na linha pós-hardcore, pré-Glassjaw e Silverstein, meio na época da Rollins Band e do Slint. Bom para caráleo, como todos (TO-DOS) os discos do Helmet, mas embrionário ainda e, mesmo tendo lá sua originalidade, ainda não tinha aquele elemento que fizesse desse Helmet uma banda realmente a frente de seu tempo.

O segundo do Helmet sim. A porra do Meantime. Esse disco é tão fodido do caralho que o cara se obriga a encher o post de palavrão para tentar dar cabo da cavalice da coisa. É uma banda que tá até no metal archives, entende? O público adepto do metal entende que o Helmet é metal! Realmente tem elementos de 90's metal, inclusive o Helmet é um dos maiores influenciadores do que se convencionou chamar de 90's metal. Mas pra mim é alternative, cara. Lembra quando eu disse que eu entendia que para ser alternative tinha que soar meio Nirvana? Então, o orgasmo sonoro da coisa é a la In Utero ou Nevermind, mas a musicalidade aqui é bem melhor, a composição é focada (deboche & sarcasmo all over, mas o foco é inegável) e o peso é realmente algo que não dá opção: tem que chamar de metal mesmo - caso isso seja, de fato, sinônimo de som pesado.

O sucesso do Nirvana tem, obviamente, "culpa" do Helmet ter se tornado mainstream nessa época, mas lembra: a banda não era um mero alternativezinho. Era metal. Metal é sinônimo de musicalidade avançada. E isso temos em Betty. Alternative para o Rick em 94/95 ainda era, obrigatoriamente, sinônimo de barulho, peso e nirvanice. E isso temos em Betty. Hoje, pra mim ele ainda é um álbum de alternative, mas agora pelas razões certas.

Pois então. O Betty é um álbum com riffs geralmente com o bordão afinado um tom abaixo... aquela coisa toda que facilitou para que músicos fracos como eu pudessem escrever riffs para a Aberdeen. Mas o Helmet é uma banda muito, muito técnica. Ah, o vocal do cara. É... o vocal do cara é uma parada meio Bob Dylan, no fim das contas. Mas nessa época eu tava curtindo o Hetfield, o Mustaine, o Cavalera, o Ozzy, e nenhum deles é exatamente o Bruce Dickinson ou o Michael Kiske. Eu gosto do vocal desses caras todos, e do Page Hamilton (Helmet) também. Acho que ele sabia criar caos e fazer melodias com um correto balanço entre as grandezas... distribuindo bem as abordagens. E ele é um grande entertainer na arte dos encaixes silabares. Divertido mesmo.

Wilma's Rainbow, I Know, Milquetoast. Esse álbum tem uns arrasta-quarteirão que não há como ser mais impactuoso que isso. Eu já fui em um monte de show. Já vi produções tops, já vi bandas pesadas... mas o melhor show que eu já fui nessa vida foi o do Helmetzinho ali no Beco de Porto Alegre. Simplesmente porque essa banda é uma usina impiedosa de peso e grooves devastadores.

O Helmet insere ainda umas coisas de jazz, de blues, de acordes abertos. Isso tudo soma pontos nos quesitos originalidade e criatividade. Mas o que mais me seduz neles é a combinação de riffs & bateras. Eles têm coisas rítmicas muito engenhosas tipo em Rollo, Clean e Street Crab, mas não é Meshuggah. É bem mais fluído e natural. É quebrado, mas soa como se não fosse. Inclusive foi exatamente o que o Vinícius Möller disse sobre a faixa Disgraceful Inside, do disco Homeless, da Aberdeen (foi o Möller, hein, gurizada! O melhor tecladista desse país elogiou nosso álbum)!

A "militaridade ríffica" do Helmet, que foi o que conquistou o gosto das massas na época do Meantime, aparece (nesse Betty) especialmente nos clássicos Speechless e Tic. Mas o Betty é bem mais amplo que o álbum anterior musicalmente, e tem uma produção que é simplesmente maravilhosa - que soa muito bem aos meus (meus!) ouvidos. Sei muitos exemplos de bandas grandes que tentaram emular esse som aqui e simplesmente não encaixou.

Enfim. É um álbum muitíssimo bem composto, com essa espécie de "desleixo" - aqui oriundo de muito conhecimento e critério (que se encaixava bem na estética daquele momento), cujo uso não foi capaz de afugentar os ouvintes atentos que procuravam música boa e pesada: os de metal.

Simplesmente do ca(pa)cete!

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