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sexta-feira, 13 de julho de 2018

Top 10 Discos Pessoais - 7a Posição


É chegado o dia do rock! Uma boa desculpa para escrever sobre o sétimo filho do sétimo filho aqui no blog. Por sinal, esse blog tem uns textos muito afudê sobre o último disco do Musique (Lights And Shades), que é o melhor de todos os sete álbuns que essa entidade lançou - aqui com mais influência de Rob Zombie e Rammstein, mas dentro do pop e urbano que o Musique sempre foi. O que isso significa? Que você está convidado a ler os textos... e mais ainda: a ouvir esse álbum, que é daqueles raros casos em que o compositor não mexeria em nada após pronto. Realmente ficou melhor do que qualquer expectativa minha e soa muito, muito bem.

Bom, conforme eu dissera no post do Ten, no início dos 90's eu tava realmente imergindo com força no metal mais pesado que você pode imaginar. Iniciei aos poucos com os velhos do Metallica, depois com os Sepultura ali da virada da década e aí, após o Beneath The Remains, peguei grande gosto pela coisa. O Marcio da Crucifixion e o Ricardinho da Zone Off me lançaram mais uma série de coisas legais, tipo Obituary e Benediction, mesclados ao bom e velho thrash, como Kreator, Slayer e Possessed. 

Numa dessas andanças, o Moisés Batera me botou na mão duas fitas cassette contendo nelas os dois primeiros do Morbid Angel: o Altars of Madness, que ele disse que era excelente, e o Blessed Are The Sick, que ele falou que também era bem bom, mas menos que o Altars.

Eu coloquei o Altars primeiro e achei que nunca mais na vida ia tirar aquele cassette do som ou parar de ouvir. Simplesmente maravilhoso death/thrash com boa ambiência, apesar da velocidade constante. Composições realmente acima da média e com um fantástico repeat value. Coisa catchy mesmo. Já era digno de dizer que tinha mudado a vida desta pessoa.

Só que aí eu coloquei o Blessed Are The Sick para rolar, acho que uns dois ou três dias depois... e acho que eu levei uns dois meses para conseguir fechar a boca, tamanho o apavoramento que essa obra prima me causou. Ele é um pouco mais cadenciado do que o Altars, mas obviamente extremo. A atmosfera e a identidade da coisa tinham sido exponenciadas a limites musicais que eu não achei que fossem possíveis. E é um álbum de 1991, saca? Ainda tem o charminho de ter coisas erradas aqui e ali, com aquela raça peculiar das bandas embrionárias do estilo. Esse disco traz algumas músicas novas e outras que foram reaproveitadas do início de carreira, dando uma boa dinâmica ao disco, tendo sido re-roupadas e adequadas ao contexto novo.

Então. A atmosfera: obviamente que um álbum de death metal vai ter uma atmosfera satânica, e tudo o mais. Mas aqui o Morbid estava indo prum rumo diferente na competição: é uma coisa mais sensual, como se fosse uma visão meio "romantizada" da coisa. A pancada está lá, mas há aquela névoa por sobre. Em uma resenha do metal archives, li que o álbum é "fleshy", o que numa tradução meio tosca seria algo próximo de "carnal". É uma vibe poética de pecado, não de matança e carnificina.

Em termos de composições, obviamente eu sou fã de tudo no álbum, mas há que se destacar a inteligência no uso dos extremismos. Eles aparecem aqui e ali. Há um bom uso de partes mais lentas. Os solos são mais contidos e táticos, se comparados ao Altars que é total Slayerismo-alavanca. Há umas partes com flauta, e uma linda música de violão chamada Desolate Ways. Enfim, o álbum é muito, muito mais do que mais um disco de metal extremo. Ele totalmente redefiniu como abordar a extremidade, dando ao metal e à arte incríveis horizontes novos.

Como baterista, é sempre importante mencionar que o Pete Sandoval, do Morbid Angel é um dos maiores inovadores da história do metal. Ele simplesmente nunca faz o óbvio e tem uma elegância e um groove, que é imitado por 98% dos bateras do estilo até hoje. É tipo o Bonham do death metal. Sem exagero.

Tá aí. Um disco excelente para quem tem a mente aberta e, mesmo que hoje em dia pareça um pouco datado - especialmente em termos de produção - segue sendo o melhor álbum de metal extremo de todos os tempos, posição que dificilmente lhe será retirada, especialmente por conta do pioneirismo e ousadia, coisas que não são mais incentivadas na arte moderna.

Abençoados são os que leram até o fim e me deram aquele feedback maroto. Nos vemos.

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