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quarta-feira, 25 de julho de 2018

Top 10 Discos Pessoais - 6a Posição


Hermanos e hermanas, sei que houve uma baita demora para eu seguir a brincadeira e tal. Eu tive o tempo, não estou morrendo de ocupado, mas como tô de saída do facebook não priorizei fazer os textos. Peço desculpa caso alguém estivesse ansiando por isso aqui - o que é pouco provável - mas enfim... hoje estou numa vibe de escrever sobre música, então calhou de tocar o barco adiante.

Na verdade, o Paradise Lost fez (e digo isso sem muito cálculo ou reflexão) pelo menos 4 dos meus 10 álbuns de metal favoritos. E esse Draconian Times é o meu all-time álbum favorito de heavy metal. Ainda dá para incluir o Symbol Of Life, o Gothic e o Icon nesse suposto top dez. O One Second e o Host também são álbuns bem fortes, mas eu já ponho eles numa diferente gaveta musical. Tenho gostado muito do In Requiem ultimamente, mas não a ponto de achá-lo revolucionariamente bom (ainda).

O lance com o Paradise Lost foi meio cronológico, na verdade: eu ouvi a banda na época aquela em que eu estava total absorto pelo Blessed Are The Sick do Morbid Angel e só queria saber de extremidade e vocalista vomitando coisa e baterista blasteando até sangrar. Então, mesmo com toda a boa vontade do Ricardinho da Zone Off me apresentando o Icon (quarto álbum), eu na época achei muito clone de Metallica Black Album e não era o que eu queria escutar. Então arquivei.

Na época que eu saí de casa, eu morei no Cassino com um pessoal que curtia bastante som extremo e também doom metal da raiz. Lá eu passei a ouvir quase que diariamente os dois primeiros do Paradise Lost e gostar muito deles - o acima mencionado Gothic sendo o segundo álbum. Combinava bem com o inverno do Cassino! Tendo gostado desses dois, eu já quis ouvir o Shades of God, terceiro disco. Ali eu notei que era um álbum de transição para o que eu lembrava do Icon. Eu curti o Shades. Não loucamente, mas foi bom. Então já fiquei, digamos, pronto para receber o Icon.

Bem na época que eu ia largar uma fita cassette pro Ricardinho me gravar o Icon, saiu o Draconian Times, o qual eu priorizei, deixando o Icon para depois. Encarei o álbum com a mente aberta, sabendo que não seria doom metal. Ouvi parte dele no apê do Ricardinho e parecia que seria bem bom. Eu já tinha aprendido que o guitarrista Gregor Mackintosh era o grande fator diferencial dessa banda, com suas intervenções lindas de guitarra solo por sobre a base sólida e pesada como chumbo do Aaron Aedy. Então, ao invés de focar no vocal do Nick Holmes, como eu tinha feito ao ouvir o Icon na primeira vez, dessa vez eu, já sabendo como proceder corretamente, foquei nas guitarras do Gregor. Porra, cara. O Gregor Mackintosh, nesse Draconian Times, simplesmente teve a melhor performance que eu já ouvi de um guitarra solo: intervenções melódicas incrivelmente carismáticas e com aquele senso meio a la Marty Friedman de sempre preencher a música com a coisa certa, na intensidade certa, no volume e timbre certos. A diferença é que o Marty é mais virtuosão e menos melancólico no approach. O Gregor soa mais sensível e melancólico, e seus arranjos nesses primeiros álbuns do Paradise Lost são de uma beleza simplesmente inigualável.

O Nick Holmes também estava soando muito bem nos vocais. Li numa Brigade que eles tentaram takes de uma mesma estrofe por três horas seguidas. Então parabéns a ele por perseverar e entregar uma performance irrepreensível. No Draconian Times, o Paradise Lost estava com um baterista novo. O Matt Archer era um bom batera para doom metal: durão e pesado. Mas aqui, com o Lee Morris o nível subiu absurdamente: ele é extremamente requintado e muito criativo. Um dos melhores e mais subestimados aí da metaleirada toda, provavelmente o grande co-responsável pelo Symbol Of Life ser também um dos melhores discos de metal ever. No fim das contas é até bom que o Lee passe batido, visto que eu sou muito influenciado por ele no meu trabalho com a Aberdeen... pode ser que eu perca minha reputação de músico criativo, caso geral decida prestar atenção no Lee! (zoeira)

The Last Time, o single do disco, demorou para me agradar. Porque ela é simples demais e muito, muito catchy com aquele refrão só no "Hearts Beating" e aquela guitarra do Gregor fazendo uma nota só. Mas né, ela era na verdade uma faixa de transição para a fase vindoura do One Second e do Host, e a gente só entende isso anos depois. De toda forma, tornou-se (com mais ouvidas) uma tremenda duma música com um péssimo clipe e... porra... o Paradise Lost sempre faz o que quer fazer, dificultando a vida do seu fã mais conservador.

Enfim, mesmo tendo lutado com a Last Time, já havia muitos e muitos motivos para se embasbacar: Forever Failure, Enchantment, Shadowkings, Jaded, Yearn For Change, Hallowed Land... tchê... esse disco podia ser facinho um greatest hits das melhores músicas de heavy metal de todos os tempos e não ficaria faltando muito material, honestamente.

O que dizer de um álbum assim? O jeito é recomendá-lo a quem não deu a ele muitas chances e torcer para seja atingido como eu e muitos outros fãs de um bom metal. Ah, mas é um disco depressivo/arrastado? O pior é que não é isso: é um álbum muito enérgico (revigorante mesmo) e dotado de uma beleza guitarrística que jamais, jamaaaais será igualada. Quem gosta de guitarra bonita composta com muita finesse e feeling está convidado a mergulhar nesse álbum aqui.

E essa arte também é das mais bonitas que existe. É inegável.

Forte abraço, geral!

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